quarta-feira, 22 de março de 2017

Deu trabalho tirar todas as teias de aranha desse Blog, mas fiz a faxina pesada e parece que voltei.
Voltei e não em grande estilo. A vida deu uma reviravolta danada e eu fiquei meio que, digamos, sem inspiração.
Mudei de trabalho, outra vez, comecei outro no mesmo dia em que me despedi do anterior. O trabalho aumentou, a grana diminuiu e com tudo que vem acontecendo com o nosso querido Brasil, deu trabalho colocar a vida nos trilhos e organizar as contas.

Ainda tem alguém aí do outro lado?

domingo, 13 de março de 2016

Você percebe que fracassou na vida quando em um domingo, às 06:40, você está acordada e jogando perguntados pelo celular. 

Aguardando a minha vida de glamour começar.  

Eu sou a garota que deu errado

domingo, 29 de novembro de 2015



Quando eu era criança, costumava passar as férias, feriados e dias santos na casa da minha vó, em uma cidadezinha do interior. Dentre as muitas coisas que eu amava das férias, ficar com meus dois amigos inseparáveis ocupava o topo da lista. Todos os dias, no final da tarde, sentávamos no final da rua, aos pés de uma amendoeira, e pensávamos na vida. Um dos papos recorrentes era o que seríamos quando fossemos adultos. Eu, claro, sempre estava nos grandes planos, afinal, era da cidade grande, estudava em boas escolas e era branca. Sim, amigos, racismo existe desde que o mundo é mundo e atinge principalmente crianças. A Evelin e o Marcos eram pessoas carentes, de uma cidade distante, dominada pela pobreza e negros. O Marcos também era gay. Não assumido, claro. Éramos crianças, mas sabíamos como o preconceito era cruel.
Em um desses papos, a Evelin comentou que a vida dela provavelmente seria casando com algum pescador, morando no quintal da mãe, sendo empregada doméstica ou com muita sorte, trabalhando no único mercado da cidade. Já o Marcos, almejava algo maior: um emprego na Prefeitura. E eu? Bom, eu, segundo eles, seria uma Médica, Advogada ou alguém bem sucedida. "É assim que a vida é", diziam eles.
O tempo passou, a minha vó morreu e as viagens ficaram cada vez mais espaçadas. Com o passar do tempo, e o interessa por outras coisas, surgiu um afastamento natural entre nós três. 
A última notícia que tive dos dois, foi quando a Evelin decidiu tentar a vida em São Paulo. Foi na cara e na coragem, sem conhecer ninguém e sem a menor noção do que faria para se manter. O Marcos havia terminado o ensino médio e conseguiu uma bolsa estudantil para um cursinho pré vestibular em Salvador. Já em Salvador, ele conheceu um rapaz de Minas, que o convidou para acompanhá-lo ele prontamente aceitou. Óbvio que achei uma loucura e tentei demovê-lo da ideia, mas sem sucesso.
Pois bem, perdemos contato e a única coisa que nos unia eram as lembranças maravilhosas da infância. 
Então que uma prima da minha mãe, que ainda morava no interior, faleceu e eu querendo garantir um banquinho no paraíso, fui ao enterro.
Lá eu fiquei sabendo que a Evelin continua em São Paulo, casada e com duas filhas e dona de um Centro de estética muito bem conceituado. Enfim, venceu.
O Marcos continua em Minas, casado com o mesmo cara que conheceu aqui em Salvador. Se formou em Direito e recentemente foi aprovado em um concurso para a PF. 
E eu? Eu continuo aqui, sem ter feito nada de produtivo da minha vida, sem ter terminado uma faculdade, sem um emprego que realmente valha a pena e fazendo textos para reclamar sobre o corte de 120 reais.
Eu realmente não sei dizer qual foi o momento em que deixei as oportunidades irem embora e nem sei se posso me considerar um fracasso total, mas é certo que a "favorita" aqui deu errado. Muito errado. E se por um lado eu fico triste por saber que não fiz nada de produtivo na minha vida, por outro eu fico muito feliz em saber que os meus amigos, que não tinham perspectivas, esperanças ou sonhos, venceram. E venceram bem. 

#ÉsimPor120Reais

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Então que a crise econômica/política/social está aí, ferrando com todas as classes, principalmente  as menos abastadas, que é a que me encontro. E em tempos de crise, infelizmente, a primeira medida é cortar empregos. Rolou uma dança das cadeiras lá no trabalho e até saber quem ficaria sentadinha eu não sosseguei. Felizmente para mim e infelizmente para os outros, eu fiquei. Fiquei e fui a única a ficar. De um total de 4 pessoas, 3 foram demitidas e 1, euzinha aqui, foi premiada com a permanência. Acontece que o que não nos mata ou fortalece, deixa seqüelas. Fiquei, mas não sem antes rolar um corte no meu salário. Cortaram o meu salário em 120 reais e eu achei uma puta falta de respeito.
Não é só pelos 120 reais ( mentira. É sim). É por tudo, principalmente, pq eu estou fazendo sozinha o trabalho que era dividido por 4 pessoas. E se no lugar de aumentarem, cortaram é porque não me respeitaram como pessoa e, principalmente, como profissional.
120 reais pode não ser nada para você, mas com 120 reais eu pago as pizzas do FDS. Pago metade da minha TV a cabo. Ajuda na conta de luz, que estamos caminhando para o terceiro ou quarto aumento só este ano; compro aquele perfume básico ou aquela camiseta para sair no fds. Não importa o que eu faça com esse dinheiro. Posso até não fazer nada, mas é um dinheiro meu, que sempre foi meu por direito, mas agora eu não tenho mais. E por mais que eu não concorde, que eu ache escroto e arbitrário, eu simplesmente não posso fazer nada, porque esse é o tipo de "acordo" que nenhum funcionário diz não, pq se está ruim com ele, pior sem ele. E em tempos de crise, é bom segurar a onda. De qualquer forma, fica aqui o meu desabafo. É pelos 120 reais, sim. 

Quando perco a paciência

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Eu não sou a melhor das funcionárias, mas me esforço ao máximo para fazer o melhor de mim no meu trabalho. Busco sempre oferecer melhores serviços e, principalmente, ter bastante atenção. Acredito que os meus chefes estão satisfeitos, porque são quase anos de emprego e um total de 0 reclamação. Pelo contrário. Nesses quase dois anos eu venho acumulando alguns elogios. 
Por fazer sempre bem o meu trabalho, o mínimo que eu espero é que as outras pessoas façam o mesmo. Fico revoltada quando vejo alguém que ganha para fazer determinada coisa e não faz. E se faz, não faz direito. 
Na semana passada eu perdi a paciência com o segurança do meu trabalho. Em poucos minutos eu coloquei pra fora a raiva de quase dois anos e não foi nada agradável. 
Para ter acesso ao meu setor de trabalho, eu preciso passar por uma portaria. Portaria essa que eu passo religiosamente de segunda a sexta, tanto para entrar, quanto para sair, inclusive, no horário de almoço. E veja bem, isso vem acontecendo há quase dois anos. Além do mais, não é permitida a entrada de nenhum funcionário sem o crachá. Todos eu dias eu passo pelo mesmo lugar, três vezes por dia, e com o crachá pendurado no pescoço, mas tem um segurança que dia sim, dia não resolve me parar e pedir para que me identifique e fale o setor que estou procurando. Eu apenas aponto para o crachá e ele, com cara de poucos amigos me deixa passar. 
Ele fez isso na segunda, na quinta e segunda de novo. Aí foi muita coisa. Perdi a paciência, mesmo. 

Falei que eu passava por lá há quase dois anos, tempo mais que suficiente para ela saber que eu era funcionária e não uma visitante, mas que se mesmo assim ele não houvesse gravado a minha fisionomia, que o meu crachá estava estampado em todas as ocasiões que ele me parou e que só havia dois motivos para ele fazer isso, e mesmo assim, ambos motivos são inaceitáveis.
Primeiro- ou ele tem algum problema na visão, que o impede de enxergar o meu crachá, fazendo com que ele não tenha a menor noção de quem entra ou sai do prédio, o que é péssimo para segurança, ou ele fazia esse tipo de coisa por brincadeira, o que também é péssimo, mas de qualquer forma, eu faria uma reclamação formal na Diretoria. E fiz.

Aguardando as cenas do próximo capítulo. 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

32 rascunhos. 0 posts. É isso o que mostra o meu editor de textos. O mais engraçado é que são coisas totalmente publicáveis, mas que por algum motivo oculto eu não tive coragem de clicar no botão "publicar". 

Enfim, voltei. Aqui estou sem muitas novidades, sem grandes ambições e vivendo dia a dia o meu feijão com arroz. 

Vejo vocês em breve. 

É oficial

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Eu estou gorda. Mas não gorda do tipo gordinha, gordelícia. Gorda do tipo obesidade, com quase 100kg. Óbvio que isso não aconteceu da noite para o dia. Nos últimos anos, além de dor, mágoas e arrependimentos, eu também acumulei quilos. Muitos quilos.
Eu poderia (e deveria) ter feito alguma coisa quando me dei conta que as calças estavam cada vez mais apertadas. Quando estas mesmas calças não fechavam ou quando iam até as coxas. Poderia ter feito algo nas inúmeras vezes em que gostei de várias roupas, mas não pude comprar porque não tinha o meu tamanho, e principalmente, quando percebi que o meu guarda-roupa (guardarroupa) era composto basicamente por legging e batas. Deveria, mas não fiz.

A verdade é que no lugar de me incomodar, eu me acomodei. Ser gorda, exceto por questões de saúde, nunca foi um problema para mim. Nunca deixei de trabalhar por ser gorda. Nunca deixei de namorar por ser gorda, nunce deixei de ter amigos por ser gorda e nunca deixei de me divertir por ser gorda.

Acontece que ser gorda, além de todas as coisas que vocês já sabem, me trouxe um outro problema: a legging rasgada. Quando se é gorda, as pernas ficam roliças e roçando uma na outra e isso causa um desgaste no tecido. Com o desgaste o tecido rasga mais rápido do que rasgaria se as minhas pernas não fossem gordas. Então que em menos de um ano eu troquei de calça (que uso como farda para o trabalho) umas 5 ou 6 vezes. Foram tantas que até perdi as contas. 
Ontem, Quarta-feira, a calça que já havia sofrido um remendo muito do mal feito acabou me deixando na mão. Fui ajeitar a costura lateral e PRAC. A calça rasgou, outra vez. 
Com a calça rasgada entre as pernas, me despedi de toda preguiça e fui até o Shopping, comprar uma nova. Fui na Loja Riachuelo, do Shopping Barra (gosto desta loja porque vende coisas para gordinhas, beijo e me liga), e comecei aquela coisa chata de procurar algo do meu tamanho.
Rodei, rodei, rodei e só achava até a numeração 48, que eu tenho duas novinhas em casa, mas que não fecham o zíper. Sem querer perder tempo, porque além de cansada estava ficando tarde, eu vi uma vendedora com rostinho bonitinho, que o meu cérebro automaticamente entendeu que seria uma pessoa legal, e fui perguntar se só tinha calças até aquele tamanho, ao que ela prontamente respondeu: claro que só vai até esse tamanho, que já é absurdo.
E eu fiquei ali, com aquela cara de qqqqqqqq. Me sentindo uma idiota, com vontade de chorar e já pensando em fazer uma reclamação para o gerente da loja, quando me vi de frente para um espelho grandão, daqueles de lojas, que as meninas magras usam para jogar em nossas caras toda sua magreza, e percebi o quanto eu estava gorda. Melhor dizendo OBESA.
Pela primeira vez algo me fez olhar no espelho com outros olhos e eu não gostei do que vi. Engoli o choro que já queria cair e fui procurar em outras lojas, que tem sempre algo para gordinhas. 
Saí de lá e fui na C&A, mas antes de que pudesse escolher alguma coisa, vi um carinha que eu havia paquerado em algum momento dessa minha vida de porra louca e saí de lá antes que ele pudesse notar a minha presença. Acabei parando na Marisa. Não achei ABSOLUTAMENTE NADA acima do tamanho 48. Nesta hora, sem eu perceber, eu já estava com cara de choro e me odiando. Acontece que chorar não me faria emagrecer (quem me dera) e eu precisava a todo custo encontrar uma bendita calça para trabalhar no dia seguinte. 
Apos quase 3 horas rodando feito louca, finalmente encontrei a calça e fui embora. Mas não sem antes esconder a embalagem, que é de uma loja especializada em pessoas obesas, dentro da bolsa.

Detalhe importante: comprei outra calça legging. 








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