sábado, 24 de agosto de 2013

Às vezes tenho a sensação de que a vida é um eterno loop da trollação. Eu sempre quis fazer mais do que fazia, mas, por algum motivo isso nunca foi possível. Agora, que aparentemente as coisas estão acontecendo, eu começo a me sabotar, mesmo sem querer ou perceber.

Eu sempre quis escrever contos. Tenho uma pilha de cadernos antigos cheio deles. Batalhei para que isso, de fato, virasse algo público e quando parece que as coisas estão se ajeitando, a dona inspiração resolve desaparecer. 

Eu não mereço. Juro. 

Das voltas que a vida dá.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Por algum motivo que Freud ainda não me explicou, eu sempre fui especialista em sabotar as coisas boas na minha vida. E, acredite, mesmo quando não fazia a menor ideia disto, lá estava eu me sabotando.

Nunca me achei merecedora de absolutamente nada que conquistei. Que também não foi grande coisa, mas mesmo pouco, eu achava que não merecia.
Na vida pessoal, isso se refletiu em inúmeros relacionamentos fracassados, em que eu quase vendi a alma ao diabo para ter alguém ao lado.
No lado profissional, eu estava em um sub emprego, que mal pagava as contas e me fazia trabalhar quase todos os 30 dias do mês e mesmo assim eu achava bacana, com a escrota desculpa do horário flexível.
Sério, que tipo de gente trabalha o mês inteiro com apenas uma folga (isso inclui trabalhar Domingos e Feriados), ganha um salário risível e aceita tranquilamente com a desculpa de que o horário é bacana?
Pois é, eu era essa pessoa. E acho que seria até hoje, caso eles não me mandassem embora.
Sim, eu fui demitida há dois meses. Época em que eu achei que havia chegado ao fim. Game Over para mim.
Quando ouvi da gerente do RH "a empresa não precisa mais dos seus serviços", eu desabei ali mesmo, sem me importar com a vergonha, com o meu orgulho, com o meu respeito por mim. Nada. Eu só chorei.

Naquele dia eu resolvi voltar para casa a pé. Chorei feito uma louca por todo caminho, me fazendo a mesma pergunta: e agora, o que é que eu vou fazer?

Foi uma das sensações mais escrotas e cruéis que já senti. Na segunda, ao voltar ao RH para entregar a carteira, mais uma crise de choro e a dor de perceber que os amigos de outrora estavam evitando contato, com medo de serem os próximos da guilhotina da demissão. Ali eu tive a certeza que era mais que aquilo e que merecia muito mais.
Enxuguei as lágrimas, tirei as coisas do armário, entreguei a carteira e me despedi secamente das pessoas com a certeza de que aquele lugar não era benéfico para mim.

Quando fui fazer o exame demissional, o médico, um senhor bem simpático, me perguntou: Por que foi demitida, minha filha?
-O motivo eu não sei e nem importa mais saber, só sei que é para comemorar.

Sim, por mais contraditório que seja, após 5 dias de pura inércia em casa, eu percebi que havia muitos motivos para comemorar. 5 dias sem trabalhar e a minha energia já era outra. Não havia mais aquela cobrança absurda, aquelas preocupações, não havia mais porque engolir sapos. Não havia mais nada. 

Gastei toda rescisão em um único final de semana. Comprei tudo que sempre quis comprar, sem medo do amanhã. Fiz até festa de aniversário. 

Coloquei currículos em todas as agências possíveis. Fui chamada para 5 entrevistas, fui disputada (isso me fez tão bem) por três empresas e optei por aquela que mais atendeu minhas necessidades do momento.

Estou MARA, amigos. Trabalhando de Segunda a Sexta, ganhando mais que o dobro do emprego anterior, exercitando meu lado bicho do mato diariamente, já que o trabalho é basicamente o resultado de uma ação em conjunto com vários setores e pela primeira vez estou me sentindo valorizada e achando que mereço mais. 

Em dois meses eu fui do inferno ao céu e pretendo continuar nas nuvens. 






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