Então, passou o Natal. E o que você fez?

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Considerações filosóficas à parte, porque eu gasto meu dinheiro como eu bem entender (beijo, me liga), o meu Natal foi especial por diversos motivos. O principal deles, foi que, depois de alguns anos, resolvi comemorar em família. Diferente de tudo que imaginei e me preparei psicologicamente, foi bem tranquilo e divertido. Natal sem barracos, minha gente. Muita emoção.

Ganhei mais presentes do que imaginei e dei menos do que me preparei. Minha vida financeira ainda é um capítulo perdido no livro da vida. A grana ficou curta e eu fiz o que pude, sendo que antes de pensar em qualquer pessoa eu pensei em mim e resolvi me presentear com coisas que eu desejava há tempos.

Antes de sair para confraternizar em família, eu resolvi fazer uma confraternização a dois. Como vocês sabem, eu tenho um namoradinho (o espanhol que está fazendo intercâmbio, lembra?) que não tem amigos, família ou qualquer outra pessoa para celebrar qualquer data. Óbvio que ele foi convidado para a festa em família, mas eu pensei em algo mais intimo, mais detalhes tão pequenos de nós dois e resolvi fazer uma ceia só nossa. Teve panetone, champanhe, troca de presentes ao pé da árvore, cartões com declaração de amor e até um jantar que eu arrisquei fazer. 
O cardápio foi de peru, tender, arroz com lentilhas, farofa, frutas e vinagrete com lentilha. Um pouco de casa coisa, para sobrar espaço para a próxima ceia. 
Ele ficou encantado com tudo e chorou feito uma criança quando perde doce. Para provar que não sou mão de vaca, ainda liguei para a família dele na Espanha e ele pode falar com todos. Foi mesmo muito emocionante.
Depois, pegamos a estrada e dirigimos por quase três horas até chegar no litoral. Chegamos aos 45 do segundo tempo, com toda família já rezando para comer. Só deu tempo de segurar na mão e já cair matando nas comidas todas maravilhosas.  Depois, muita conversa jogada fora, abraços nos desafetos, corrida de saco, ovo na colher e geral se jogando na piscina para selar a noite de paz.

Para provar que estou melhorando na cozinha, saca só um pouco do que rolou na minha casa: 

 Tender muito doido, que eu fiz com alecrim, molho inglês e cravo e que ficou muito bom, acredite.


 Arroz com lentilhas e cenoura ralada, que virou a sensação da noite.

E o velho amigo peru, que não pode faltar de jeito nenhum.

E você, o que fez no Natal? Conta pra mim, vai. =)

Tchau, sobras

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Minha mãe, que Deus a tenha, deixou muitas lições nesta vida. Umas bastante aplicáveis, outras, nem tanto. De tudo que a minha mãe fez/falou, sempre me vem a lembrança uma época quando eu era criança, e era normal ela trazer os afilhados do interior para passar as férias conosco. 
Como eram pessoas humildes, que quase nunca viam aquelas novidades da cidade grande, era super normal que eles se encantassem com tudo e quisesse ter o máximo daquelas novidades, seja ela de qualquer espécie: comida, roupa, brinquedos e etc.
No almoço, vi inúmeras vezes minha mãe reclamar com seus afilhados sobre a quantidade de comida no prato:
-Pegue apenas o que vai comer e seu estômago comporta. Isso não é fome. É olho. A comida não vai sair correndo.
O discurso dela sempre foi, basicamente, o de que tenha/use apenas o que precisa. Acontece que a minha mãe era do tipo faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Eu nunca entendi como ela enchia o prato de comida, jogava mais da metade fora e reclamava quando fazíamos o mesmo.
Na casa em que morávamos, tinha 6 quartos, sendo que um deles era teoricamente de hóspede, mas na verdade, servia para abrigar um guarda-roupa (ainda não atualizei) abarrotado de roupas de cama, mesa e banho. Na cozinha foi preciso fazer um anexo, para que ela pudesse guardar todas as panelas e vasilhas que ela insistia em colecionar. 
Veja, não fazia sentido o discurso tenha/use apenas o que precisa.
No auge da minha rebeldia e da nossa guerra fria, eu virei uma consumista de primeira linha. Sempre tinha mais do que queria ou precisava. No fundo, era uma forma de mostrar para a minha mãe que eu também podia cometer esses desatinos. Houve época em que cheguei a ter mais de 100 pares de sapatos, mais de 30 bolsas, roupas e mais roupas, que algumas eu me desfiz sem sequer tirar a etiqueta.
A verdade, é que por mais que você use palavras para conscientizar sei lá o que, de nada adianta se você não dá o exemplo, e a vida, meus amores, ela sempre ensina. Seja por amor ou pela dor.
Ainda sem perceber o viria a seguir, eu comecei a me desfazer de algumas coisas da casa, quando fiquei sozinha. Era muita coisa desnecessária e que eu jamais precisaria. Não fiz isso porque, enfim, aprendi a lição da minha mãe. Fiz porque queria mesmo me livrar daquelas coisas. 
E então que as vacas que estavam magras começaram a ficar anoréxicas e eu, que cheguei ao ponto de vender o almoço para pagar o jantar, comecei a me questionar se realmente havia necessidade de ter todas aquelas coisas. A sensação que eu tinha era de que comprava compulsivamente para preencher algo que eu nem sabia o que era.
A situação apertou bastante e por mera questão financeira eu comecei a me desfazer de algumas coisas. No começo, eu fiquei desesperada, porque embora fossem coisas fora de uso, eu fiquei com a sensação de que em breve poderia precisar delas, mas, como disse, a coisa estava bem apertada e por uma questão alimentar, era vender ou passar fome. Vendi.
Depois de um tempo, a sensação de desapego começou a fazer bem e eu pude, enfim, começar a entender o que a minha queria dizer. Eu tinha coisa que não precisava, mas tinha, apenas para dizer que tinha, mesmo que aquilo fizesse muito mal ao meu bolso. 
Hoje, depois de muito quebrar a cara, parei de ostentar. Tenho exatamente o que preciso para viver no mínimo de conforto e sempre que vejo uma coisa que quero muito, eu fico refletindo se além do desejo material há mesmo alguma necessidade em adquirir tal coisa. É óbvio que eu ainda tenho uns surtos e saio comprando a loka de tudo, mas compro bemmmm menos do que tempos atrás. 
Neste final de ano, resolvi me livrar de tudo que está encostado. Seja projetos, pessoas, sentimentos, roupas, sapatos e acessórios. Tudo aquilo que está no cantinho, esperando uma chance, eu resolvi deixar ir. Quem precisa de uma chance sou eu, porque lá no fundo, é bem legal quando você aprende a conviver com aquilo que você precisa, sem sobras, sem acúmulos. ;)

WhatsApp x Bom senso

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Então que cerca de duas semanas atrás, uma amiga pediu para mandar uma mensagem através do meu WhatsApp, porque ela havia esquecido o celular em casa e era coisa urgente. Não vi mal algum e prontamente ofereci o meu aparelho.
Dia seguinte, essa mesma amiga pediu para mandar outra mensagem, porque mais uma vez ela havia esquecido o aparelho dela em casa. Vale lembrar que WhatsApp é uma coisa bem intima, bem pessoal. Não é, por exemplo, como um contato de Email ou do antigo MSN (RIP). É o seu número de telefone, que você, no caso, eu, só fornece para pessoas confiáveis ou que sinta vontade de fazê-lo. O que não é o caso aqui.
Aparentemente é uma coisa banal. Ela mandou algumas mensagens e tudo certo, correto? Errado.
Ela mandou mensagens não só para uma pessoa, mas para várias. De repente, um monte de gente que eu não fazia ideia estava mandando mensagens sem parar, inclusive, na madrugada, para o meu celular. A inconveniência era tanta, que eu passei a deixar o celular em modo silencioso, apenas para poder dormir tranquilamente, já que os amigos dela adoravam mandar mensagens durante a noite.
Sim, eu poderia ter conversado com ela antes, ter dito que estava me incomodando e tals, mas eu sou um tipo estranho que sofre muito quando precisa dizer algo que o outro não quer ouvir. Fui adiando falar sobre isso, na esperança de que o bom senso virasse o melhor amigo dela e ela deixasse o meu celular em paz. 
Não deu. O que aconteceu foi totalmente o contrário. Ela já estava adquirindo um documento de propriedade do meu celular, porque sempre que chegava no trabalho, ela ia até a minha mesa e pedia para mandar mais uma mensagem. Mandava tantas que só devolvi o MEU CELULAR na hora do almoço, e mesmo assim porque eu pedia. 
Acontece que quando eu passei a usar o celular no modo silencioso, eu não só deixei de ver as mensagens dos amigos dela como também as mensagens e telefonemas dos meus amigos. Isso acabou causando algumas confusões e desentendimentos desnecessários, como no dia que fiquei mais de duas horas esperando por uma amiga e ela avisou por mensagem sobre o atraso e eu não vi porque o cel estava no mute.
Então que no dia seguinte, quando ela veio toda sorridente pedir o meu celular para mandar mais uma mensagem (e só devolver na hora do almoço), eu deixei toda vergonha de lado e falei o quanto aquela situação era incômoda. Que os amigos dela mandavam mensagem na madrugada, que era um monte de gente desconhecida invadindo a minha intimidade, que por causa desses inconvenientes eu havia perdido alguns compromissos, sem contar nas pessoas que falam comigo, às vezes precisando de uma resposta imediata, e que eu só via horas depois, quando ela me entregava o celular.
Qualquer pessoa de bom senso, acho eu, perceberia ali mesmo, o quanto ela havia invadido o meu espaço e pediria desculpas. Acontece o que o bom senso nunca foi um bom companheiro dessa minha amiga e ela tirou dos cachorros e colocou em mim. Me chamou de egoísta pra baixo, fechou a cara e agora anda falando barbaridades sobre a minha pessoa para quem quiser ouvir.

Eu, com  toda certeza, não mereço isso. Sem contar que ainda tive trabalho para bloquear mais de 30 contatos que ela havia adicionado no meu celular. É mole ou quer mais? 

Existe muito amor no mundo.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Eu costumo dizer que você cria os planos, mas é vida quem se encarrega de fazê-los acontecer ou não. 
Tempos atrás, a minha terapeuta sugeriu que eu adotasse um cachorro. O tempo estava passando e já estava mais que na hora de assumir mais responsabilidades (como se as minha responsabilidades diárias fossem poucas). Recusei e disse que ainda não era o momento. Minha vida está de pernas para o ar e adotar um cãozinho agora seria muito injusto comigo e principalmente, com o cão. 

Então que na Sexta-feira da semana passada, quando estava chegando em casa, vi um cachorrinho na porta do prédio, se abrigando da chuva. Pensei em ignorar e passar direto, mas vi o que o pobre animal tremia de frio e resolvi colocá-lo para dentro, na parte coberta, até a chuva passar.  
Acontece que um outro morador chegou logo depois e quando viu o cachorro, tratou logo de colocá-lo na chuva, outra vez. Fiquei com pena e fui buscar o cachorro para passar a chuva na minha casa. Nada além disso. 
Peguei uma toalha, enrolei o bichinho e resolvi secá-lo com um secador de cabelos. Neste momento vi que não era um bichinho, mas uma bichinha. Era linda, embora estivesse com ar de bastante maltratada e parecia ter uma certa idade. 
Coloquei no meu colo, sequei com o secador de cabelos e fiz uma cama improvisada, ao lado da minha.
A cadela, além do manter o rabo entre as pernas o tempo todo, tremia sem parar. Imaginei que era fome e percebi que não tinha nada para oferecer. Foi aí que lembrei que o vizinho também tem cachorro e com toda cara de pau do mundo, bati em sua porta e pedi um pouco de ração. Expliquei a situação e ele gentilmente cedeu ração e um patê, que segundo ele é o amor do cachorros. Ela comeu tudo em poucos segundos e depois bebeu bastante água. 
Já se sentindo um pouco mais segura, ela deitou na caminha improvisada e dormiu feito um anjo, mas notei que continuava a tremer. 
Dia seguinte, resolvi levá-la ao Pet Shop que tem aqui no condomínio. Expliquei para a dona que era uma cadela que eu havia achado na porta do prédio se abrigando da chuva e tudo que aconteceu durante a noite. Disse que não tinha dinheiro para a consulta, mas que contava com a caridade dela para a veterinária olhar, mesmo que superficialmente. Ela ficou um pouco assim, mas como o Pet estava cheio e ela não queria fazer feio, disse que a Veterinária estava muito ocupada e que só seria possível atendê-la no final do dia. Eu disse que ficaria ali, esperando. Foi quando uma outra cliente se ofereceu para pagar a consulta, para que eu não ficasse o dia todo esperando e uma outra se ofereceu para comprar ração. 
A cadela tomou banho, colocou remédio para pulgas e carrapatos e fez um hemograma, porém, a Veterinária suspeitava de alguma doença que só seria possível detectar através de exames mais apurados e consequentemente bemmmm caros. Vendo a minha aflição, ela mandou que eu procurasse a Faculdade de medicina veterinária, porque eles fazem todo o tipo de exame gratuitamente. Acontece que isso foi no Sábado e a Faculdade só funciona de Segunda a Sexta. Fiquei em pânico.
Acontece que Segunda é dia de trabalho e não tinha como levar a pobre cadela para uma consulta. Liguei para o trabalho, menti que não estava me sentindo bem e fui para a Faculdade levar Bolinha (esse foi o nome que escolhi). Apesar de ter esperando por quase três horas para ser atendida, a equipe é muita boa e cuidaram dela direitinho. Foi constatado que Bolinha estava com câncer no útero e que seria preciso operá-la o quanto antes, no máximo em dois dias, ou ela morreria naquela mesma semana.
Eu não conhecia a Bolinha, não era um cachorro que tinha uma história comigo, mas era um pobre animal sofrendo muito e eu senti que precisava fazer alguma coisa para salvá-la. A cirurgia poderia ser feita na Faculdade sem nenhum custo, mas o mais próximo que conseguiram  encaixá-la foi em Fevereiro. Comecei a chorar ali mesmo, na frente de todos. Eu não tinha dinheiro para pagar por uma cirurgia particular e não tinha a menor ideia de como conseguir. 
O veterinário que atendeu a Bolinha sugeriu uma ONG, mas eu teria que pagar pelo menos 500 reais (o custo total era de 2.284,00). Eu não tinha 500 reais e também não tinha cartão de crédito. Foi então que ele, vendo meu desespero para salvar aquele animal que era um total desconhecido pra mim, se comoveu e conversou com um pessoal de uma clínica aí e acertamos a cirurgia para aquele mesmo dia, mas que eu teria que assinar umas promissórias e o que seria um débito de 500 reais a vista, pulou para 800 reais em algumas prestações. 
Em resumo, estou devendo 800 reais para pessoas que não conheço, estou com uma "filha" em recuperação em casa, comprei os remédios no cartão de uma amiga (mais 200 e alguns quebrados) e mesmo bemmm ferrada financeiramente, estou transbordando de alegria por ter salvado esse pobre animal que dá sinais de que já foi muito maltratado. Ela ainda tem muitos problemas para serem resolvidos, mas inicialmente ela precisa se recuperar da cirurgia, o que ela vem fazendo muito bem, para depois eu pensar nos outros problemas.
Além de todos esses acontecimentos, eu ainda estou incomodando o vizinho. Como eu passo o dia todo fora, eu deixei a chave de casa com ele e pedi para ele ir lá ministrar os remédios e fazer o curativo no lugar dos pontos, coisa que ele vem fazendo alegremente.
E toda essa lição que eu tive, de encontrar generosidade em pessoas que eu não conhecia, que nunca tinha visto na vida, como as pessoas do Pet Shop, o Veterinário da Faculdade e o pessoal da clínica, me fez perceber que existe, sim, muito amor e solidariedade no mundo..só é preciso compartilhar.
Agradeço de coração todas essas boas pessoas que Deus colocou no meu caminho, porque se a Bolinha está viva hoje, foi pela bondade dessas pessoas que juntaram num momento tão confuso para todos nós.
Eu não sei como vou pagar essa dívida com a clínica, mas venho pedindo a Deus por uma luz. No momento, estou pensando em fazer um bazar (já que tenho uma certa "experiência" com isso) para arrecadar algum dinheiro. Se algum leitor quiser ajudar, será muito bem vindo. É só falar nos comentários que eu faço rapidinho uma página no Facebook com as peças. ;)

E agora, as fotos do presente que Deus colocou no meu caminho em um dia chuvoso. 

Antes da cirurgia
 Durante a cirurgia
Depois da cirurgia


*Existe muito amor no mundo. Só é preciso compartilhar. 

Frase extraída do filme Incondicional, um filme belíssimo, por sinal. 






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