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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Eu estou gorda. Mas não gorda do tipo gordinha, gordelícia. Gorda do tipo obesidade, com quase 100kg. Óbvio que isso não aconteceu da noite para o dia. Nos últimos anos, além de dor, mágoas e arrependimentos, eu também acumulei quilos. Muitos quilos.
Eu poderia (e deveria) ter feito alguma coisa quando me dei conta que as calças estavam cada vez mais apertadas. Quando estas mesmas calças não fechavam ou quando iam até as coxas. Poderia ter feito algo nas inúmeras vezes em que gostei de várias roupas, mas não pude comprar porque não tinha o meu tamanho, e principalmente, quando percebi que o meu guarda-roupa (guardarroupa) era composto basicamente por legging e batas. Deveria, mas não fiz.

A verdade é que no lugar de me incomodar, eu me acomodei. Ser gorda, exceto por questões de saúde, nunca foi um problema para mim. Nunca deixei de trabalhar por ser gorda. Nunca deixei de namorar por ser gorda, nunce deixei de ter amigos por ser gorda e nunca deixei de me divertir por ser gorda.

Acontece que ser gorda, além de todas as coisas que vocês já sabem, me trouxe um outro problema: a legging rasgada. Quando se é gorda, as pernas ficam roliças e roçando uma na outra e isso causa um desgaste no tecido. Com o desgaste o tecido rasga mais rápido do que rasgaria se as minhas pernas não fossem gordas. Então que em menos de um ano eu troquei de calça (que uso como farda para o trabalho) umas 5 ou 6 vezes. Foram tantas que até perdi as contas. 
Ontem, Quarta-feira, a calça que já havia sofrido um remendo muito do mal feito acabou me deixando na mão. Fui ajeitar a costura lateral e PRAC. A calça rasgou, outra vez. 
Com a calça rasgada entre as pernas, me despedi de toda preguiça e fui até o Shopping, comprar uma nova. Fui na Loja Riachuelo, do Shopping Barra (gosto desta loja porque vende coisas para gordinhas, beijo e me liga), e comecei aquela coisa chata de procurar algo do meu tamanho.
Rodei, rodei, rodei e só achava até a numeração 48, que eu tenho duas novinhas em casa, mas que não fecham o zíper. Sem querer perder tempo, porque além de cansada estava ficando tarde, eu vi uma vendedora com rostinho bonitinho, que o meu cérebro automaticamente entendeu que seria uma pessoa legal, e fui perguntar se só tinha calças até aquele tamanho, ao que ela prontamente respondeu: claro que só vai até esse tamanho, que já é absurdo.
E eu fiquei ali, com aquela cara de qqqqqqqq. Me sentindo uma idiota, com vontade de chorar e já pensando em fazer uma reclamação para o gerente da loja, quando me vi de frente para um espelho grandão, daqueles de lojas, que as meninas magras usam para jogar em nossas caras toda sua magreza, e percebi o quanto eu estava gorda. Melhor dizendo OBESA.
Pela primeira vez algo me fez olhar no espelho com outros olhos e eu não gostei do que vi. Engoli o choro que já queria cair e fui procurar em outras lojas, que tem sempre algo para gordinhas. 
Saí de lá e fui na C&A, mas antes de que pudesse escolher alguma coisa, vi um carinha que eu havia paquerado em algum momento dessa minha vida de porra louca e saí de lá antes que ele pudesse notar a minha presença. Acabei parando na Marisa. Não achei ABSOLUTAMENTE NADA acima do tamanho 48. Nesta hora, sem eu perceber, eu já estava com cara de choro e me odiando. Acontece que chorar não me faria emagrecer (quem me dera) e eu precisava a todo custo encontrar uma bendita calça para trabalhar no dia seguinte. 
Apos quase 3 horas rodando feito louca, finalmente encontrei a calça e fui embora. Mas não sem antes esconder a embalagem, que é de uma loja especializada em pessoas obesas, dentro da bolsa.

Detalhe importante: comprei outra calça legging. 








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